DURANTE A AUTÓPSIA DE UMA FREIRA, o médico nota uma MARCA ESTRANHA no corpo e ENTRA EM PÂNICO ao descobrir o que é…
No meio da autópsia de uma freira, o médico legista nota um detalhe muito estranho no corpo: uma tatuagem com uma mensagem sinistra em suas costas. Por favor, não realize a autópsia. Espere 2 horas. Minutos depois, quando o necrotério é invadido e o corpo da freira misteriosamente desaparece, o médico entra em pânico ao perceber o que estava realmente acontecendo.
“Mas… mas o que é isso? Isso é uma tatuagem? O que é aquilo no corpo dela, Doutor Fonseca?” Camilo perguntou, dando dois passos apressados para trás como se algo o tivesse empurrado. Seus olhos estavam fixos no corpo imóvel sobre a maca de metal, e o tom de sua voz tremia de incerteza.
Do outro lado da sala fria, cercada por azulejos brancos e instrumentos cirúrgicos, o médico legista mais experiente ali, o Doutor Fonseca — que acabara de abrir um armário em busca de bisturis e pinças — virou-se com a testa franzida.
“Como assim, uma tatuagem? O que você viu, Doutor Camilo?” ele perguntou, claramente intrigado enquanto se aproximava com passos lentos.
Estendida sobre a mesa de aço inoxidável estava algo que não se via todos os dias naquele necrotério: o corpo de uma freira. Ela ainda usava o hábito preto, ajustado firmemente à sua estrutura jovem e delicada. Seu rosto, pálido e angelical, parecia mais o de alguém em sono profundo do que o de alguém sem vida — mas ela estava morta, e não havia explicação clara para sua partida.
Camilo, o mais jovem dos dois legistas, permaneceu em silêncio por alguns segundos. Ele esperou que seu colega se aproximasse, tentando encontrar as palavras certas para o que acabara de ver.
“Você viu uma tatuagem nela, Camilo? É isso?” o médico sênior repetiu, tentando entender o que estava deixando seu parceiro tão desconfortável.
“Eu… eu estava olhando, e notei uma abertura no hábito dela. Parece… parece que há uma tatuagem nas costas dela. Não tenho certeza,” ele respondeu, visivelmente perturbado.
Fonseca, com a calma de alguém que passara muitos anos naquela função, cruzou os braços e refletiu. “Pode ser apenas sua imaginação, ou talvez seja realmente uma tatuagem,” ele disse, fazendo uma pausa breve antes de continuar. “Nem todo mundo segue o caminho da fé desde jovem. Às vezes, uma pessoa vive no mundo secular, faz uma marca, e só depois se dedica à vida religiosa. Pode ser uma lembrança do passado. Nada de estranho.”
Camilo respirou fundo, olhou para seu colega e perguntou algo que talvez estivesse guardando desde o início do turno.
“Em todos os seus anos aqui, você já fez uma autópsia em uma freira?”
Fonseca, que tinha mais de uma década de trabalho naquele necrotério, arqueou as sobrancelhas. “Para ser honesto, nunca. Nem nos meus sonhos. Fiquei surpreso quando o delegado enviou o corpo para cá. Sabe, quando há uma autópsia, é porque há suspeita de crime — e um assassinato em um convento? Isso parece quase absurdo.”
“Surreal ou não,” Camilo disse com um tom mais sério, “estamos diante de uma freira, e confesso que ainda estou intrigado com essa suposta tatuagem.”
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No meio da autópsia de uma freira, o médico legista nota um detalhe muito estranho no corpo: uma tatuagem com uma mensagem sinistra em suas costas. “Não faça a autópsia, por favor. Espere duas horas.” Minutos depois, quando o necrotério é invadido e o corpo da freira misteriosamente desaparece, o médico entra em pânico ao perceber o que realmente estava acontecendo.
Mas, mas, o que é isso? Isso é uma tatuagem? O que é aquilo no corpo dela, Dr. Fonseca? Camilo perguntou, dando dois passos apressados para trás, como se algo o tivesse empurrado. Seus olhos estavam fixos no corpo imóvel sobre a maca de metal, e sua voz tremia de incerteza. Do outro lado da sala fria, cercada por azulejos brancos e instrumentos cirúrgicos, o legista mais experiente ali, Dr. Fonseca, que acabara de abrir um armário em busca de bisturis e pinças, virou-se com uma carranca.
“Como assim, uma tatuagem? O que você viu, Dr. Camilo?” ele perguntou, claramente intrigado, enquanto se aproximava lentamente. Estendido sobre a maca de aço inoxidável estava algo que não se via todos os dias naquele necrotério: o corpo de uma freira. Ela ainda usava o hábito preto, bem ajustado ao seu corpo jovem e delicado. Seu rosto pálido e angelical parecia mais o de alguém em sono profundo do que sem vida, mas ela estava morta, e não havia explicação clara para sua morte.
Camilo, o mais jovem dos dois legistas, permaneceu em silêncio por alguns segundos. Ele esperou seu colega se aproximar, tentando encontrar as palavras certas para o que acabara de ver. “Você viu uma tatuagem nela, Camilo? É isso?” o médico mais velho repetiu, tentando entender o que tanto incomodava seu colega. “Eu estava olhando e notei uma abertura no hábito dela. Parece que há uma tatuagem em suas costas. Não tenho certeza”, respondeu ele, visivelmente perturbado.
Fonseca, com a calma de quem estava naquela função há muitos anos, cruzou os braços e refletiu. “Pode ser apenas sua imaginação, ou talvez seja uma tatuagem mesmo?” ele disse, fazendo uma pausa breve antes de continuar. “Nem todo mundo segue o caminho da fé desde jovem. Às vezes a pessoa vive no mundo, se marca por ele, e só depois se dedica à vida religiosa. Pode ser uma lembrança do passado. Nada de incomum.” Camilo respirou fundo, olhou para seu colega e perguntou algo que talvez estivesse guardando desde o início daquele plantão.
“Em todos esses anos aqui, você já fez autópsia em uma freira?” Fonseca, que já trabalhava naquele necrotério há mais de uma década, ergueu as sobrancelhas. “Para ser sincero, nunca, nem nos meus sonhos mais loucos. Fiquei surpreso quando o delegado enviou o corpo para cá. Você sabe, quando há autópsia, é porque há suspeita de crime, e um assassinato em um convento? Isso parece quase absurdo.” “Surreal ou não”, disse Camilo em um tom mais sério. “Estamos olhando para uma freira, e confesso que ainda estou intrigado com essa suposta tatuagem.”
Fonseca concordou com a cabeça. Ele parecia entender a inquietação de seu colega. Então começaram a se preparar para o procedimento. Mas antes que pudessem iniciar a autópsia, um vento gelado de repente varreu a sala, fazendo a janela se escancarar com um estrondo. Papéis na mesa voaram pela sala, instrumentos chacoalharam. Camilo estremeceu. Seu corpo reagiu com um calafrio intenso. Ele imediatamente se virou para o corpo na maca e, com um nó na garganta, perguntou: “O senhor realmente acha que devemos fazer isso, Doutor?”
“Tocar em uma freira, alguém tão sagrado?” Fonseca não respondeu de imediato, apenas soltou um longo suspiro. Seus olhos estavam fixos no corpo da freira, e ele também sentiu o mesmo calafrio. Algo no ar havia mudado. Mesmo assim, ele falou com firmeza. “Este é o nosso trabalho, Camilo. Seja quem for, precisamos encontrar respostas. Precisamos saber a causa da morte.” Ele fez uma pausa e concluiu. “Às vezes a vida nos coloca diante de coisas que parecem erradas, mas são necessárias.”
O jovem médico, ainda hesitante, assentiu. Ambos respiraram fundo. O veterano então tomou a iniciativa. “Vamos continuar. Onde você disse que viu algo?” “Nas costas”, respondeu Camilo. “Através da abertura no hábito. Há algo ali.” “Parece que sim.” Fonseca se aproximou da mesa de exame e examinou com cuidado. “Deixe-me ver.” Ao se aproximar, ele se inclinou sobre o corpo. De fato, havia um pequeno rasgo no tecido do hábito preto, e através dele, um pedaço de pele estava visível, e nele, algo estranho.
Uma marca escura, pequena, mas visível. O legista então olhou para Camilo. Os dois trocaram um olhar breve e confirmador. Foi o suficiente. “Ajude-me a virá-la”, pediu Fonseca. Cuidadosa e respeitosamente, os dois médicos colocaram o corpo da freira de bruços sobre a mesa de exame gelada. Antes de começar, Fonseca fechou os olhos por um momento, respirou fundo e murmurou uma oração. Pediu perdão a Deus, pois mesmo sendo sua profissão, tocar em alguém consagrado daquela maneira fazia com que sentisse um peso no peito.
“Passe-me uma tesoura”, pediu. Camilo entregou o instrumento, e Fonseca começou a cortar cuidadosamente a parte de trás do hábito, mas bastaram alguns centímetros para seus olhos se arregalarem. O que ele viu ali não era uma simples tatuagem; era uma inscrição, algo escrito. “Isso é verdade?” Fonseca murmurou, entre o choque e a curiosidade. “Eu te disse”, exclamou Camilo, “há algo ali, algo escrito?” Movido por uma urgência de entender, Fonseca acelerou seus movimentos, revelando completamente as costas da freira.
E então, como se o tempo tivesse parado, os dois médicos congelaram. Seus olhos se arregalaram, seus rostos empalideceram e, por um momento, ficaram sem palavras. Nenhum dos dois ousou piscar. O silêncio encheu a sala como se o próprio necrotério tivesse prendido a respiração junto com eles. “É isso que estou lendo, Doutor? Não estou imaginando coisas, estou?” Camilo perguntou, sua voz tremendo de medo. Fonseca, ainda segurando a tesoura, com as mãos agora trêmulas, respondeu sem tirar os olhos da inscrição.
“Se você está imaginando algo, então eu também estou.” Como se precisasse confirmar o que via, como se seus olhos não fossem suficientes, o experiente Dr. Fonseca estendeu a mão trêmula e passou delicadamente o dedo indicador sobre a escrita. Seus lábios se moveram lentamente enquanto ele lia em voz baixa as palavras gravadas nas costas da jovem freira. “Por favor, não faça autópsia no meu corpo. Espere duas horas. O que você precisa está no bolso do meu hábito.” O silêncio que se seguiu foi quase tão perturbador quanto a mensagem.
Fonseca, ainda inclinado sobre o corpo, permaneceu imóvel por alguns segundos, como se tentasse processar. Era absurdo, inexplicável, inédito. Camilo, tomado por uma inquietação quase juvenil, não esperou por mais instruções. Deu alguns passos à frente, inclinando-se sobre a freira. Ele rapidamente examinou a lateral do hábito preto até avistar dois bolsos discretos costurados no tecido. Nada no primeiro, mas quando colocou os dedos no segundo, sentiu algo. Seus olhos se arregalaram. “Dr. Fonseca, há algo aqui.
Parece pequeno, parece um… Ele puxou lentamente o objeto e então terminou a frase, com a voz falhando de espanto. Um pendrive.” Era como se o tempo tivesse congelado por um momento. Camilo ficou imóvel, o pequeno dispositivo USB em suas mãos, enquanto Fonseca se aproximava lentamente. O mais velho pegou o objeto e o virou entre os dedos. Era feito de plástico preto comum, aparentemente inofensivo, mas a sensação que o cercava era tudo menos reconfortante. “O que há dentro disso?” Camilo perguntou, sua voz agora um pouco mais firme, embora seu nervosismo ainda fosse evidente.
Fonseca examinou o pendrive por mais alguns segundos, depois ergueu o olhar para seu colega. “Se aquela mensagem é real, se ela mesma deixou isso, então este pendrive pode conter alguma evidência, algumas respostas sobre o que aconteceu com esta freira.” Ele fez uma pausa breve e continuou. “É estranho a polícia não ter encontrado. Talvez não tenham procurado com cuidado suficiente. Mas agora que está em nossas mãos, vamos descobrir juntos o que aconteceu.” Com o pendrive nas mãos, Fonseca caminhou rapidamente para a sala ao lado.
Camilo o seguiu imediatamente, com o coração batendo forte a cada passo. Eles se sentaram em frente ao computador, ligaram-no e esperaram em silêncio enquanto o sistema operacional carregava. A tensão no ar era quase insuportável. O silêncio entre eles era pesado, quebrado apenas pelo zumbido do ventilador do computador e pelo bater nervoso dos dedos de Camilo na mesa. Quando o sistema finalmente inicializou, Fonseca inseriu o pendrive e esperou. A tela piscou. Em segundos, uma única pasta apareceu.
Camilo apontou para o monitor. “É um vídeo. Há um arquivo de vídeo ali.” Fonseca assentiu ligeiramente. Seus olhos estavam fixos na tela. “Você está pronto?” ele perguntou. “Sim, abra”, respondeu Camilo, quase sem fôlego. O experiente legista clicou no arquivo. A imagem carregou, e o que viram a seguir fez seus estômagos embrulharem. A mesma freira apareceu no vídeo. Seu rosto estava abatido, pálido, e seus olhos estavam cheios de medo. Ela estava sentada na beira de uma cama em um quarto simples com uma cruz na parede e uma janela ao fundo.
Era noite. A luz era fraca, mas suficiente para ver sua expressão de angústia. “Se você está assistindo a este vídeo, é porque meu corpo está em um necrotério, pronto para uma autópsia. Ou talvez eu tenha tido um destino ainda pior”, disse ela, com a respiração ofegante. “Não tenho muito tempo.” E então, como se o destino quisesse confirmar, fortes batidas ecoaram na porta do quarto. A freira olhou desesperadamente para o lado. “Não confie na Madre Superiora Úrsula.”
Ela não é quem todos pensam que é. Não confie nela, pelo amor de Deus.” Antes que pudesse continuar, o vídeo foi abruptamente interrompido. Camilo levou as mãos à cabeça. Seus olhos se arregalaram, e ele murmurou: “Foi a freira. A freira fez isso com ele.” Fonseca engoliu em seco. Ele estava visivelmente abalado. “Não sei, mas a polícia precisa investigar isso imediatamente. De alguma forma, a freira do convento está envolvida, isso está claro.” Os dois assistiram ao vídeo novamente.
Eles estavam procurando detalhes, qualquer pista adicional. Notaram que havia sido gravado com a webcam de um laptop. A iluminação fraca dificultava a análise do ambiente, mas não havia dúvida. Era o mesmo rosto, a mesma mulher que naquele momento jazia na maca fria da sala ao lado. Tentaram identificar sombras, reflexos, qualquer indicação de que havia mais alguém no quarto, mas não havia nada, apenas a voz desesperada da freira e as batidas na porta. Eles estavam assistindo pela terceira vez, ouvindo atentamente.
Estavam absortos em pensamentos quando foram interrompidos. Um som repentino os fez pular. Batidas, mas desta vez não vinham da câmera de vídeo. “Você ouviu isso?” Camilo perguntou, virando-se. Fonseca levantou-se da cadeira, com os olhos fixos na porta que dava para o corredor do necrotério. As batidas continuaram. Três toques secos e insistentes, uma pausa, e depois mais três. “Fique aqui, veja se encontra mais alguma coisa. Vou verificar você”, disse Fonseca, caminhando rapidamente em direção à porta. O corredor estava envolto em escuridão, com as luzes frias piscando ocasionalmente.
As batidas persistiam, e um calafrio percorreu a espinha do médico. “Já vou!” ele chamou com voz rouca, tentando parecer composto. Ao se aproximar da porta principal do necrotério, estendeu a mão e girou lentamente a maçaneta. Quando a abriu, o impacto quase o fez cambalear para trás. Ali, de pé, coberta por um véu branco, com o rosto sereno e um sorriso suave nos lábios, estava uma mulher com uma expressão bondosa. Ela usava um hábito escuro, perfeitamente alinhado. Um crucifixo pendia em seu pescoço.
Fonseca levou um segundo para reconhecê-la. Era a Madre Superiora, a superiora de Úrsula. Por alguns segundos, Fonseca ficou simplesmente congelado. Era como se o tempo ao seu redor tivesse diminuído. A freira, parada na entrada do necrotério, sorriu gentilmente. Seu rosto era sereno, seu olhar firme e penetrante. “Madre, o que a senhora está fazendo aqui?” ele gaguejou, ainda tentando acreditar no que via. A mulher, de cerca de sessenta anos, manteve seu sorriso calmo e respondeu em uma voz doce, quase melodiosa.
“Boa noite, meu filho. Sei que a senhora tem uma de nós aqui, a Irmã Gabriela.” Aquele nome ecoou na mente do médico. Gabriela pensou por um momento, associando-o ao corpo da freira ainda deitado na maca de metal na sala fria ao lado. “Sim, o corpo está aqui. Sinto muito pela sua perda”, disse ele com uma expressão de pesar. A madre suspirou, seu peito elevando-se ligeiramente sob o hábito escuro. “Tem sido muito difícil.
Gabriela era uma jovem vibrante com um espírito tão puro. Ela fará muita falta no convento.” Fonseca simplesmente assentiu. Interiormente, ele ainda se perguntava o que ela estava fazendo ali tão tarde da noite. A visita era, no mínimo, incomum. A freira continuou, seu olhar mais atento. “A autópsia já foi realizada.” O médico notou o tom direto da pergunta, mas respondeu honestamente. “Iniciaremos o procedimento em alguns minutos.” “Por quê?” A freira relaxou os ombros, mostrando algum alívio.
Um novo sorriso se espalhou em seu rosto, ainda mais amplo que o anterior. “O problema, meu filho, é que eu estava em outra parte da cidade quando tudo aconteceu. Fui fazer algumas compras para o convento. Infelizmente, não tive a chance de me despedir da Irmã Gabriela.” Ela fez uma pausa breve e então perguntou: “Gostaria de saber se é possível vê-la uma última vez.” No instante em que Fonseca olhou novamente nos olhos da madre, sentiu algo estranho.
Um calafrio repentino percorreu todo o seu corpo, da nuca à espinha. Era um tipo diferente de calafrio, um sinal. Apesar de ser um homem de ciência, Fonseca também possuía uma fé silenciosa. Ele acreditava em Deus, fazia suas orações silenciosas nos corredores do necrotério e também rezava pelas almas dos que ali chegavam, para que encontrassem o reino de Deus. Ele já estivera na presença daquela madre antes; sempre a considerara uma figura de paz.
Mas agora, agora havia algo diferente, algo perturbador, algo errado. Foi nesse instante que tudo ao seu redor pareceu se desvanecer. A realidade se dissolveu por um momento, e Fonseca viu, como em uma visão, um quarto simples com paredes de cor clara e uma pequena cruz acima da cama. No centro da cena, Gabriela, a freira falecida, apareceu, caminhando lentamente em sua direção. Ela colocou as mãos em seus ombros, olhou em seus olhos e sussurrou ansiosamente: “Não confie na Madre Superiora, por favor, não confie nela.” Num piscar de olhos, a visão desapareceu.
Ele estava de volta à entrada do necrotério, de frente para a madre que o observava com o mesmo sorriso sereno. “Meu filho”, ela chamou, tentando trazê-lo de volta de seu transe. Fonseca balançou a cabeça ligeiramente e piscou, tentando se recompor. O calafrio voltou, intenso, e embora tudo parecesse normal para quem olhasse de fora, uma voz ecoou em sua mente: “Não confie na madre. Não confie na madre.” Respirando fundo, o médico endireitou-se e respondeu: “Sinto muito, Madre, mas apenas pessoal autorizado pode entrar na sala de autópsia.”
É um protocolo muito rigoroso. Lamento, mas não posso permitir que a senhora veja o corpo agora.” Úrsula, ainda sorrindo, inclinou ligeiramente a cabeça. “Mas, meu filho, preciso me despedir da Irmã Gabriela. Preciso fazer uma última oração para que ela possa ir com Deus.” Ela falou ternamente, quase suplicante, mas Fonseca não conseguia se livrar do mal-estar que sentia. Seu coração batia forte. Cada palavra da madre parecia carregar um peso oculto, como se houvesse algo não dito por trás daquele pedido.
“Madre. Sinto muito, mas realmente não posso permitir. São regras. Se eu as desobedecer, posso perder meu emprego.” A mulher deu um passo à frente, sua voz mais baixa e carregada de súplica. “Por favor, ninguém precisa saber. Apenas uma última oração.” Fonseca balançou a cabeça. “Realmente não posso. Sei que a senhora poderá rezar pela alma desta jovem no velório. Tenho certeza de que Deus ouvirá suas orações.” Foi então, quando ela o viu, por uma fração de segundo, que a expressão da madre mudou sutilmente.
Seus olhos pareceram escurecer, e seu sorriso desapareceu por um momento. Fonseca não soube dizer se havia imaginado ou se seu rosto realmente havia mudado, mesmo que por um segundo. Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, um grito rasgou o ar vindo de dentro do necrotério. “Dr. Fonseca! Dr. Fonseca, venha rápido, é urgente!” A voz era de Camilo, e o desespero era impossível de ignorar. Fonseca olhou rapidamente para a madre. “Com licença, preciso ir”, disse ele, virando-se e fechando a porta atrás de si apressadamente, correndo para atender ao chamado de seu colega.
Mas ele perdeu um detalhe. A madre, com movimentos rápidos, enfiou o pé sob a porta antes que ela se fechasse completamente. Sem esforço, ela empurrou a porta de volta e deslizou discretamente para dentro do necrotério. Seus passos eram suaves, quase silenciosos, enquanto atravessava o corredor. Fonseca, mais adiante, corria pelos corredores frios, atento apenas aos gritos incessantes de Camilo. “Doutor, pelo amor de Deus, venha aqui agora! O senhor precisa ver isto!” O médico corria com o coração acelerado e a mente cheia de perguntas, sem saber que a madre também estava ali, a apenas alguns passos atrás.
Absorvendo tudo, Fonseca continuou correndo o mais rápido que podia. Seus passos ecoavam nos corredores frios e silenciosos do necrotério. Ao virar a última esquina, ele esbarrou em Camilo. O jovem médico estava parado na porta da sala de autópsia, com os olhos arregalados e suando profusamente, o rosto pálido e a expressão beirando o pânico. Fonseca parou na frente dele, ainda ofegante da corrida, e perguntou: “O que aconteceu, Camilo? O que aconteceu para deixá-lo assim?” Camilo mal conseguia falar.
Ele respirou fundo, tentando controlar o tremor de suas mãos, e respondeu: “O senhor precisa ver com seus próprios olhos. Venha.” Sem dizer mais nada, Camilo se afastou, abrindo espaço para Fonseca entrar. O médico mais experiente deu um passo hesitante, sentindo um calafrio percorrer sua espinha. Algo no olhar do jovem lhe dizia que o que o esperava lá dentro era tudo menos comum. Fonseca se aproximou lentamente da entrada da sala, com o coração batendo forte. Quando finalmente alcançou a porta aberta e olhou para dentro, levou a mão à boca em choque.
“Onde? Onde ela está?” ele perguntou, sua voz um sussurro angustiado. Camilo olhou para ele, balançando a cabeça ligeiramente em confirmação. “É por isso que estou assim, Dr. Fonseca. O corpo da freira, o corpo dela desapareceu. Desapareceu sem deixar vestígios.” Antes que Fonseca pudesse reagir, outra voz ecoou para eles. Uma voz de mulher, firme e repentina. “O quê? Como assim o corpo da Irmã Gabriela desapareceu?” Os dois se viraram ao mesmo tempo. Era a madre. Úrsula havia entrado no necrotério sem ser notada e agora os observava com uma expressão tensa.
“Não, isso não pode estar acontecendo”, murmurou ela, atravessando lentamente a soleira. “Como um corpo desaparece no necrotério a menos que… Não, não pode ser?” Fonseca deu um passo à frente, sua voz ainda mais firme. “Eu disse a ela que não podia entrar, mas a madre não respondeu. Ela ignorou completamente a repreensão. Continuou andando, com os olhos fixos na sala agora vazia, até parar a alguns passos à frente. Então murmurou uma única palavra entre dentes. O som daquela palavra saindo da boca de uma mulher que sempre fora pacífica e devota enviou um calafrio imediato pelas espinhas de ambos os médicos.
Era como se algo invisível tivesse congelado o ar lá dentro. Claramente, aquela mulher estava escondendo algo, mas para entender o que realmente estava acontecendo, para saber por que o corpo da Irmã Gabriela havia desaparecido, por que ela havia deixado uma gravação pedindo que não confiassem na madre, era necessário voltar no tempo. No início daquela mesma semana, em uma noite aparentemente comum no convento de Santa Bárbara, a jovem freira Gabriela estava terminando suas tarefas na cozinha.
Como de costume, ela havia preparado alguns pastéis para o café da manhã do dia seguinte. Era uma de suas coisas favoritas para fazer, cuidar das irmãs com pequenos gestos de carinho. Antes de ir para seu quarto, cortou uma fatia de pastel quente, bebeu um copo de suco e dirigiu-se ao escritório da Madre Superiora Úrsula. Ela admirava profundamente aquela mulher. Via-a como um exemplo de fé e dedicação. Ao chegar à porta, bateu duas vezes.
De dentro veio a resposta calma e familiar. “Entre.” Gabriela abriu a porta suavemente. Ela tinha um sorriso no rosto e um brilho nos olhos. “Com licença, Madre Úrsula. Trouxe um pequeno pedaço de bolo e um copo de suco, um lanche leve antes de dormir.” “O bolo está bem quentinho, do jeito que a senhora gosta”, disse ela enquanto caminhava até a mesa e colocava o prato e o copo. Úrsula sorriu. “Oh, Gabriela, você é realmente perfeita, irmã, mas vai acabar me deixando gorda assim.” Ela brincou de bom humor, soltando uma risada leve enquanto levava o garfo à boca para provar.
“Fico feliz que a senhora gostou, Madre”, respondeu Gabriela sinceramente. “É o mínimo que posso fazer. A senhora faz tanto por nós. É um prazer servi-la e servir a Deus.” Após uma breve troca de palavras, a jovem freira se despediu e saiu da sala. Ela caminhou calmamente até seu quarto. Sentou-se na cama e abriu um livro. Fazia parte de sua rotina ler um pouco antes de dormir. Leu por alguns minutos, com as pálpebras já pesadas de sono.
Quando sentiu a fadiga vencê-la, fechou o livro, fez uma breve oração e deitou-se, sorrindo, em paz por ter cumprido mais um dia de boas ações. Ela estava quase dormindo quando um som repentino a fez pular. Um ruído agudo, como um grito abafado. Assustada, ela levou a mão ao peito. “O que foi isso?” murmurou, tentando entender se realmente havia acontecido ou se estava sonhando. Tentou afastar o pensamento. “Devo ter imaginado. Talvez tenha sido apenas um sonho.”
Ela se deitou novamente, ajustando o travesseiro, tentando se convencer de que não havia perigo. Mas sua inquietação cresceu. Seus pés começaram a se mover nervosamente, e sua mente não se acalmava. “E se realmente foi um grito? E se uma das irmãs precisar de ajuda?” Dominada pela dúvida, ela se levantou da cama. Abriu cuidadosamente a porta do quarto. O corredor estava escuro. Nenhuma luz acesa. Tudo estava silencioso. As outras freiras provavelmente já estavam dormindo. “Sim, deve ter sido minha imaginação”, murmurou, pronta para voltar.
Mas então seu estômago roncou. Ela sorriu para si mesma. “Já que estou acordada, vou aproveitar para comer um lanche.” Começou a caminhar pelo corredor em direção ao refeitório. Tudo estava quieto até que ela virou uma esquina e parou abruptamente. A cozinha estava iluminada. Alguém estava lá. Mas antes de continuarmos, por favor, curta, inscreva-se no canal e ative as notificações. Assim, o YouTube sempre notificará você quando um novo vídeo for enviado. Agora me diga, você é a favor ou contra autópsias?
Você acha que é realmente necessário intervir na morte de alguém que já faleceu para descobrir a causa? Ou você acha que, independentemente de como morreram, eles deveriam simplesmente ser lamentados? Conte-me nos comentários e me diga de que cidade você está assistindo a este vídeo, e marcarei seu comentário com um coração bonito. Agora, de volta à nossa história, Gabriela ficou parada no corredor por alguns segundos, observando as luzes da cozinha acesas ao longe. Ela franziu a testa e murmurou baixinho para si mesma: “Mas quem poderia estar lá?” As freiras não tinham o hábito de vagar pelo convento nas primeiras horas da manhã.
Após as orações finais, todos se recolhiam a seus quartos, e raramente alguém quebrava essa rotina. Nos quartos pelos quais passou, todas as portas estavam fechadas, indicando que todos já deveriam estar dormindo. Movida por um sentimento estranho no peito, uma inquietação que ia além da mera curiosidade, Gabriela começou a caminhar em direção à cozinha. Seus passos eram lentos e silenciosos, e o som de seus pés nos azulejos frios ecoava suavemente no corredor.
Ao chegar à entrada da cozinha, a cena diante dela fez suas sobrancelhas se erguerem de surpresa. Sentada em uma cadeira perto da geladeira, devorando avidamente um grande pedaço de bolo e bebendo suco direto da jarra, estava ninguém menos que a Madre Superiora Úrsula. “Madre”, a jovem freira exclamou, confusa com o que via. Úrsula se assustou ligeiramente, mas rapidamente sorriu, tentando esconder sua reação. “Oh, Irmã, acha que acordei com fome? Tive que vir saquear a geladeira.”
Que Deus me perdoe.” Ela deu uma pequena risada de lado e terminou. “Mas alguém chegou antes de mim. O bolo já estava cortado.” Gabriela estreitou os olhos desconfiada. “Era o bolo que eu trouxe para a senhora antes de dormir. A senhora não se lembra?” “Claro, claro que me lembro, irmã. Olha, estava tão bom que vim buscar mais”, respondeu a madre enquanto colocava avidamente outro pedaço de bolo na boca. Ela imediatamente se levantou e começou a procurar mais coisas para comer.
Gabriela a observava atentamente. O hábito de sua madre estava desalinhado, seu cabelo um pouco fora do lugar. Havia algo estranho em sua aparência, algo que não combinava com seu comportamento habitual. “A senhora está bem, Madre?” ela perguntou, ainda mais atenta. “Claro, sim, só um pouco de fome, mas está tudo bem”, respondeu ela, pegando um pedaço de pão com as mãos trêmulas. “E o que você está fazendo acordada a esta hora, irmã?” “Pensei ter ouvido um barulho, alguém gritando.”
“Vim ver o que era”, explicou Gabriela, cruzando os braços, ainda desconfortável com o que via. Ao ouvir isso, Úrsula largou o pão bruscamente sobre a mesa. “Barulho? O que exatamente você ouviu?” “Não sei bem. Parecia um grito, mas deve ter sido minha imaginação.” Sua madre pareceu visivelmente aliviada. Relaxou os ombros e disse: “Sim, foi sua imaginação.” Gabriela, ainda desconfiada, pediu permissão para se sentar e fazer um sanduíche também. “Claro, irmã, sente-se”, respondeu Úrsula, voltando a mastigar.
As duas permaneceram ali por alguns minutos. Comeram em silêncio, mal trocando olhares, até que a madre disse: “Bem, agora vou deitar um pouco. Você vem comigo até meu quarto, irmã?” “Claro, Madre.” Gabriela concordou, levantando-se. As duas caminharam juntas pelos corredores do convento, iluminados apenas pela fraca luz da lua que filtrava pelas janelas. Gabriela andava na frente, e a madre a seguia de perto, olhando discretamente ao redor como se verificasse algo.
Elas pararam em frente a uma porta. Sua madre pareceu confusa por um momento. “É esta. Quer dizer, obrigada, irmã.” “De nada”, respondeu Gabriela, sorrindo levemente. “Boa noite, Madre.” Ela se afastou e voltou para seu próprio quarto, mas sua mente não descansava. Ao deitar-se, ficou olhando para o teto por um tempo, perdida em pensamentos. “A madre parecia um pouco diferente”, sussurrou para si mesma antes de fechar os olhos. Na manhã seguinte, Gabriela levantou-se cedo como de costume. Vestiu-se rapidamente, prendeu o cabelo e foi direto para a cozinha.
Ela planejava assar alguns pães de queijo para o café da manhã. Depois, com a ajuda de outras irmãs, arrumou a mesa no refeitório. A maioria das freiras já estava sentada, pronta para iniciar a refeição, mas havia uma ausência notável. A Madre Superiora ainda não havia aparecido. A freira de meia-idade, Irmã Susana, virou-se para Gabriela e perguntou: “Você viu a Madre? Talvez ela ainda não tenha se levantado?” Gabriela franziu a testa. A ausência da Madre era realmente incomum.
Ela geralmente era a primeira a acordar e fazia questão de liderar as orações antes de cada refeição. “Vou verificar”, respondeu Gabriela, já se dirigindo ao corredor. Embora não fosse uma das freiras mais velhas, ela era próxima o suficiente de Úrsula para bater em sua porta. Caminhou com passos decididos até o quarto da Madre Superiora. Quando chegou, bateu uma vez. Nada. Bateu uma segunda vez. Silêncio. Uma terceira vez. Ainda nenhum som. “Madre. A senhora está aí?” ela chamou, com a voz ligeiramente elevada.
Ela estava prestes a se virar e voltar quando ouviu o clique da fechadura. A porta se abriu lentamente, e o que Gabriela viu a deixou sem palavras por alguns segundos. Úrsula estava ali, mas completamente diferente. Seu cabelo estava desgrenhado, seus olhos inchados de sono, seu rosto pálido e cansado. E havia algo mais, um cheiro estranho, um cheiro forte, cheiro de cigarro. Gabriela tossiu involuntariamente, cobrindo parcialmente o nariz com a mão. “Madre, ela estava dormindo até agora.” A Madre Superiora olhou rapidamente para o velho relógio em seu pulso, levantando a manga do hábito.
“Mas ainda não são nem 8h00 da manhã. É muito cedo”, murmurou ela. Gabriela franziu a testa. “Cedo” pareceu notar o lapso. Ela rapidamente se corrigiu. “Desculpe, tive uma noite ruim. Tive dificuldade para dormir depois de comer tanto ontem, mas vou me aprontar.” “Onde temos que ir, Irmã? Esqueci. E qual é o seu nome?” A jovem freira piscou de surpresa. “Sou Gabriela, e vamos tomar café da manhã juntos como de costume. Madre, a senhora está bem?
Esquecendo meu nome. Nós nos vemos todos os dias.” “Perdoe-me, Irmã Gabriela. Sim, estou bem. Foi apenas uma noite ruim, e claro que me lembro do seu nome; tive apenas um lapso. Só isso.” Gabriela assentiu lentamente, ainda desconfiada. Seu olhar vagou para dentro do quarto, e então ela decidiu perguntar: “E a senhora sente cheiro de cigarro?” A Madre Superiora fechou rapidamente a porta com um gesto quase brusco e respondeu com um sorriso estranho: “Oh, minha filha, é que acendi um incenso.”
Não é cigarro.” Ela fez uma pausa breve antes de terminar. “Agora vou me trocar e irei ao refeitório imediatamente. Peça às outras irmãs que me esperem.” “Claro, Madre”, respondeu Gabriela, tentando soar natural, embora seu olhar refletisse desconfiança. Enquanto voltava para o refeitório, seus pensamentos a atormentavam. “Aquilo… Aquilo não era incenso, não podia ser.” Ela respirou fundo e tentou se acalmar. “Calma, Gabriela, você deve estar apenas imaginando coisas.” Dentro do quarto, a Madre Superiora se aproximou da janela.
Seus dedos seguravam firmemente um cigarro ainda aceso. Ela o jogou fora como se estivesse descartando um segredo perigoso. “Preciso ter mais cuidado, ou serei descoberta”, murmurou ela. Pouco depois, Úrsula apareceu no refeitório. Seu hábito ainda estava ligeiramente desalinhado, mas ninguém ousou comentar. Todas as freiras já estavam reunidas, de mãos dadas e esperando. Ela olhou ao redor e perguntou: “Estão esperando algo?” Irmã Susana, sempre a mais prestativa, deu um passo à frente. “A oração, Madre. A senhora sempre lidera a oração.” De repente, a Madre tossiu, apertando a garganta.
Sua voz saiu mais rouca. “Oh, sim, claro. É que acordei com dor de garganta hoje. Então, a Irmã Gabriela liderará as orações matinais.” E ela virou o olhar diretamente para Gabriela. Surpresa, Gabriela levou alguns segundos para reagir, mas no silêncio geral, ela assumiu a liderança. Começou a oração do dia, e todas repetiram em uníssono. Assim que terminaram, sentaram-se para comer. A Madre Superiora, como na noite anterior, comeu vorazmente.
Cada garfada era apressada, quase exagerada. Gabriela notou e percebeu que não era a única. Outras freiras também trocavam olhares discretos, desconfortáveis com aquele comportamento incomum. Quando o café da manhã terminou, Úrsula chamou Gabriela de lado. Sua voz era baixa, quase conspiratória. “Já que estou indisposta, com dor de garganta, você ficará encarregada de administrar o convento hoje. Apenas observarei.” Gabriela assentiu, mas uma sensação de mal-estar crescia dentro dela. Aquilo não era normal. A Madre Superiora sempre insistira em estar no comando de tudo, em controlar cada detalhe do convento.
Mesmo assim, ela respondeu: “Sim, Madre.” No final do dia, sua ansiedade era insuportável. Ela procurou a Irmã Susana e falou quase como um desabafo. “Irmã, há algo errado com a Madre. Ela está agindo de forma estranha desde ontem à noite.” Susana franziu a testa. “Eu realmente notei que ela estava diferente, mas você não acha que pode ser só porque ela está doente?” Gabriela cruzou os braços. “Não sei, mas mesmo doente? A Madre nunca foi assim. Ela sempre quis estar no comando de tudo. Bem, deve ser só minha imaginação, mas tenho um pressentimento estranho.”
“Eu tenho.” Susana colocou a mão em seu ombro. “Não se preocupe, a Madre deve ter tido apenas um dia ruim.” Gabriela tentou se convencer disso. Antes de ir para a cama, preparou um pequeno lanche e o levou para o quarto de Úrsula como de costume. “Obrigada, agora com licença, tenho algumas coisas para cuidar”, respondeu a madre secamente, um contraste gritante com o tom acolhedor da noite anterior. “Claro, Madre. Boa noite”, disse Gabriela. Mas a madre nem respondeu; simplesmente a deixou sair, fechando a porta atrás de si.
De volta ao seu quarto, Gabriela teve dificuldade para dormir. Ela se revirou, relembrando cada detalhe estranho dos últimos dois dias. Tentou afastar os pensamentos e se convencer de que era tudo imaginação sua. Na manhã seguinte, sua madre chegou cedo. Fez uma oração curta e trocou algumas palavras de fé com as irmãs. Parecia um pouco mais alegre, mas algo em seu olhar ainda mantinha Gabriela em alerta. Por um momento, ela pensou que talvez Susana estivesse certa, talvez tivesse sido apenas um dia ruim.
Essa impressão, no entanto, começou a desmoronar quando chegou a hora da missa no convento. Úrsula estava na frente da capela com todos reunidos quando anunciou: “Minhas irmãs, hoje teremos um novo padre celebrando a missa em nosso convento, o Padre Eustáquio.” Um homem de aparência bondosa em uma batina verde entrou, cumprimentando-os timidamente. Mas nos primeiros minutos, Gabriela notou algo estranho. Ele era completamente desajeitado. Tropeçava nas vestes, esquecia a ordem dos ritos e não fez homilia; simplesmente terminou com um gesto apressado.
“E assim terminamos nossa missa”, e ele saiu sem mais cerimônia. A jovem freira sentou-se por alguns segundos, confusa. Isso estava errado. Um padre não se comportava assim, muito menos em sua primeira missa em um convento. Os dias seguintes só aumentaram suas suspeitas. Pequenos detalhes no comportamento de Úrsula e Eustáquio chamaram sua atenção. O padre começou a frequentar o convento com uma regularidade incomum. Aparecia em todos os horários do dia e passava longos períodos no escritório da Madre Superiora a portas fechadas.
Era estranho. Com outros padres, reuniões assim eram raras e breves, mas com Eustáquio sempre parecia haver algo a discutir longe dos ouvidos das outras irmãs. “Há algo errado com eles, eu sei”, Gabriela murmurou para si mesma. Sempre que falava com Susana, repetia suas preocupações, mas sua amiga apenas balançava a cabeça e dizia: “Acho que isso é falta de oração, Irmã Gabriela. Você está vendo coisas que não existem. A Madre continua a mesma, e o Padre Eustáquio pode ser um pouco desajeitado, sim, mas deve ser um sinal da idade dele.”
“Ela é um doce.” As palavras de Susana soaram como uma tentativa de tranquilizá-la, mas para Gabriela, apenas reforçaram seu sentimento de estar sozinha em sua desconfiança. Como ninguém parecia levar suas suspeitas a sério, a jovem freira decidiu investigar por conta própria. Ela precisava saber de uma vez por todas se havia algo estranho acontecendo com a Madre Superiora. Nos últimos dias, ela notara barulhos estranhos nas primeiras horas da manhã — passos, portas se abrindo, sons abafados — sempre quando todas as freiras deveriam estar dormindo.
E aquela noite não foi diferente. Um som metálico ecoou pelo convento quando o portão principal se abriu. Sem pensar duas vezes, Gabriela saiu apressada de seu quarto, descalça para não fazer barulho. Ela seguiu pelo corredor escuro, guiada apenas pela fraca luz da lua que filtrava pelas janelas. Então ela o viu. Do lado de fora do convento, a Madre Superiora estava de pé, vestindo apenas uma camisola. Na frente dela estava o Padre Eustáquio, vestindo roupas comuns, sem batina.
A cena já era estranha, mas o que ela ouviu em seguida fez seu coração disparar. “Eu te chamei porque ela está muito agressiva. Não consegui controlá-la sozinha”, disse Úrsula, com a voz carregada de tensão. “Acho que você está perdendo tempo com ela. Devia apenas deixá-la morrer ali”, respondeu Eustáquio friamente. Gabriela, escondida na sombra de uma coluna, arregalou os olhos. Ela não conseguia entender de quem estavam falando e como um padre podia dizer algo tão cruel.
A Madre Superiora retrucou: “Você está louco? Ela é minha irmã. Posso não ser a melhor pessoa, mas nunca faria algo assim com minha irmã.” Gabriela sentiu um calafrio percorrer sua espinha. “Irmã. Como assim, irmã? A Madre Superiora tem uma irmã”, pensou ela, atordoada. Os dois começaram a andar, e a jovem freira, movida por puro instinto, decidiu segui-los. Seus passos eram leves, calculados, para não chamar a atenção. Ela ficou perto o suficiente para ouvir qualquer conversa, mas longe o suficiente para não ser vista.
Eles chegaram à capela. A porta rangeu ligeiramente quando Úrsula e Eustáquio entraram. Gabriela acelerou o passo e, ao cruzar a soleira, notou algo perturbador. A sala estava completamente vazia. “Hum, para onde eles foram?” sussurrou para si mesma. Cautelosamente, começou a observar cada detalhe. Tudo parecia em ordem, mas então seus olhos caíram sobre algo atrás do altar. Uma das tábuas de madeira do chão estava ligeiramente deslocada. “O que é isso?” murmurou ela, ajoelhando-se e levantando a tábua com dificuldade.
A surpresa foi imediata. Havia uma abertura no chão, uma passagem secreta. O coração da freira disparou. “Eles só podem ter ido para lá. Mas o que está acontecendo, meu Deus?” Por alguns segundos ela hesitou. Entrar naquele lugar significava correr um risco grande demais, mas a curiosidade e um sentimento estranho de que precisava ver com seus próprios olhos a impulsionaram para frente. Ela respirou fundo e desceu. Encontrou-se em um túnel estreito com paredes úmidas. O ar ali era mais pesado, e um leve cheiro de mofo se misturava com algo indefinível.
Ao longe, uma luz fraca iluminava o fim do corredor. À direita, parecia haver uma sala. Gabriela caminhou lentamente, cuidadosa para não tropeçar. Ao se aproximar, a visão diante dela quase a fez cair para trás. Dentro da sala estavam Eustáquio e a Madre Superiora, ou pelo menos quem ela acreditava ser a Madre Superiora. Mas havia outra pessoa, outra mulher, também usando um hábito, embora amarrotado e sujo, com uma expressão cansada e abatida. O mais chocante era que ela era idêntica a Úrsula.
Idêntica. A mulher estava amarrada a uma cadeira. Sua voz era fraca, mas cheia de desespero. “Pelo amor de Deus, Luciana, tire-me daqui. Não aguento mais ficar neste lugar.” A suposta madre, agora chamada de Luciana pela prisioneira, respondeu friamente. “Úrsula, minha querida irmã, sinto muito, mas não posso deixá-la ir. Infelizmente, sou a nova madre agora. Você terá que ficar aqui.” A verdadeira madre, chorando, suplicou. “Não, você não pode me deixar trancada neste lugar, Luciana. Deixe-me ir, por favor.”
“Deixe-me ir. Ajudarei você a escapar. Não contarei a ninguém, apenas me deixe ir.” Eustáquio interveio, sua voz pingando desprezo. “Você deveria ser grata que sua irmã ainda tem um coração mole. Quanto a mim, eu atiraria em você.” Foi então que tudo fez sentido para Gabriela. A mulher que estava administrando o convento nos últimos dias não era Úrsula, era Luciana, sua irmã. E Eustáquio provavelmente nunca foi padre. Assustada, ela deu um passo para trás. Um rangido agudo ecoou pelo túnel.
Gabriela olhou para o chão. Ela havia pisado em um pedaço de plástico que agora a denunciava. Luciana franziu a testa. “Há mais alguém aqui?” “O barulho veio do túnel”, afirmou Eustáquio, já se virando. A verdadeira Madre Superiora aproveitou o momento para gritar: “Socorro! Ajudem-me! Eu sou a verdadeira Madre Superiora! Por favor, ajudem-me!” Gabriela congelou por um segundo, com o coração batendo forte, até que Luciana saiu da sala e a viu. “Ah, é você. Mas como você se tornou intrometida, Gabriela.”
Eustáquio apareceu atrás dela com um sorriso sinistro. “Ah, freirinha, agora você vai direto para o caixão. Quem mandou ser tão intrometida?” Desesperada, Gabriela ouviu novamente a voz angustiada da verdadeira Úrsula. “Corra, Gabriela, corra. Tranque a saída, corra. Quando sair, procure ajuda. Corra, pelo amor de Deus.” Gabriela hesitou. Parte dela queria ajudar imediatamente, mas quando viu Eustáquio levar a mão à cintura, provavelmente para puxar uma arma, seu instinto de sobrevivência falou mais alto.
Ela se virou e correu. O túnel ecoou com o som de seus passos apressados. Atrás dela, os gritos e ameaças de Luciana e Eustáquio a seguiam. Alcançando a saída, Gabriela se apressou e trancou a entrada do lado de fora com as mãos trêmulas. De baixo, Luciana gritou: “Abra! Abra agora!” Eustáquio rugiu imediatamente. “Vamos pegar você, você não vai escapar!” Gabriela empurrou um móvel pesado sobre a saída secreta, bloqueando o acesso. O baque ecoou na pequena e silenciosa capela do convento, e ela correu para fora, com o coração acelerado e as pernas tremendo.
Ao chegar em seu próprio quarto, bateu a porta e a trancou por dentro. Ela se encostou na madeira, ofegante, sentindo o suor frio escorrer pela nuca. “O que eu faço, meu Deus? O que eu faço?” murmurou para si mesma, com a respiração ofegante. Considerou acordar as outras freiras, mas sabia que explicar tudo levaria tempo. Tempo que ela não tinha. O homem em quem ela acreditara até algumas horas antes ser um padre tinha uma arma, e a Madre Superiora não era a Madre Superiora.
A verdadeira estava amarrada, prisioneira. O que ela poderia fazer contra dois impostores armados? E quem acreditaria em uma história dessas? Ela andou pelo quarto, sentindo sua ansiedade crescer. “Minha mãe, minha verdadeira mãe, não posso deixá-la assim. Tenho que fazer algo. Mas como?” Foi então, olhando para a mesa à sua frente, que algo chamou sua atenção. Ali estava seu pequeno laptop, o que ela usava para estudar. Ao lado, um pendrive conectado. Perto, uma caneta de tinta preta, um presente que recebera anos antes de seu pai, e alguns comprimidos para dormir que guardava para noites de insônia.
Uma ideia absurda começou a tomar forma em sua mente — louca, mas possivelmente eficaz. Sem perder tempo, Gabriela pegou a caneta e correu para o quarto ao lado, onde a Irmã Susana dormia. Ela bateu forte. “Susana, abra a porta, é urgente. Abra, por favor.” Do outro lado, a irmã saltou. “Meu Deus, Gabriela, o que está acontecendo?” Gabriela não respondeu imediatamente. Ela virou as costas para Susana e lhe entregou a caneta. “Eu… não posso explicar agora.”
“Só preciso que você faça algo por mim, irmã. E por favor, acredite em mim.” Então ela pediu que escrevesse em suas costas: “Não faça autópsia, por favor, espere duas horas.” Susana olhou confusa. “Gabriela, você pode explicar o que está acontecendo?” Mas Gabriela balançou a cabeça. “Não posso dizer nada ou colocarei você em risco. O que posso dizer é que você não pode confiar no Padre Eustáquio nem na Madre Superiora de forma alguma. Você não pode confiar neles.”
“Você não pode.” Ela respirou fundo antes de continuar. “Você vai fazer o seguinte. Vai até a sala do telefone e chamará a polícia. Faça uma ligação anônima dizendo que um crime ocorreu aqui no convento. Então, você vai se esconder, Irmã Susana. Não deixe ninguém ver você. Pelo amor de Deus.” Susana tentou argumentar. “Gabriela, não estou entendendo.” “Só preciso que você faça o que pedi, Susana. Pelo amor de Deus, há algo muito sério acontecendo neste convento, mas só posso contar a verdade se tudo der certo.”
“Aconteça o que acontecer, fique quieta. E se eu não voltar, você deve saber que nunca pode confiar na Madre. Na primeira oportunidade, fuja deste lugar”, disse a jovem freira com firmeza. Ela fez uma pausa breve, olhando nervosamente ao redor. “Agora tenho que voltar para meu quarto. Eles estão vindo, e não tenho muito tempo.” Susana, embora não entendesse, obedeceu. Ela correu para a sala do telefone, com o coração acelerado. Pegou o telefone e fez a ligação, falando rapidamente sobre um crime no convento.
Enquanto isso, ouvia passos pesados ecoando pelo corredor. Em seu quarto, Gabriela, com as mãos trêmulas, vestiu o hábito, respirou fundo e abriu o frasco de comprimidos para dormir. “Eu… espero que isso funcione. Esta é a única maneira de sair daqui e expor esses impostores.” Ela sentou-se em frente ao laptop, conectou o pendrive e começou a gravar. Sua voz saiu firme. “Não confie na Madre Superiora.” Antes que pudesse dizer mais, ouviu fortes batidas na porta.
Ela rapidamente desligou o computador, removeu o pendrive e o amarrou no bolso do hábito com um cordão. Do lado de fora, Luciana gritava: “Abra esta porta agora, Gabriela! Abra ou será pior!” Eustáquio interveio, sua voz carregada de ameaça. “Ela não vai abrir, mas também não vai escapar.” Gabriela ouviu o som metálico de algo sendo manipulado na fechadura. Eustáquio havia encontrado um clipe de papel velho e estava tentando forçar o ferrolho. “Ela não conseguirá escapar, não conseguirá”, disse ele resolutamente.
A fechadura clicou aberta com um som agudo. A porta se abriu. O que viram os deixou atordoados. Deitada no chão, com pílulas espalhadas ao redor, estava Gabriela, imóvel. Seu rosto estava pálido e seus olhos fechados. Luciana levou a mão à boca. “Ela tinha tomado essas pílulas?” Eustáquio se ajoelhou ao lado dela, colocando dois dedos em seu pescoço para verificar o pulso. Após alguns segundos, ele ergueu o olhar e balançou a cabeça.
“Ela está morta.” Ele imediatamente soltou uma risada baixa e cruel. “Foi melhor assim.” Luciana, no entanto, parecia inquieta. “Não sei. Isso pode dar errado se ela tiver contado a alguém.” Eustáquio permaneceu calmo. “Aquela freira não contou a ninguém. Claro que não. Ela correu com medo. Nos trancou lá atrás e, aterrorizada, tomou as pílulas. É isso. Uma preocupação a menos.” Luciana olhou para o corpo imóvel de Gabriela por alguns segundos, seu olhar pesado de desconfiança, mas não disse mais nada.
Eustáquio, ainda agachado ao lado do corpo, soltou uma risada seca e desdenhosa. “Essas mulheres aqui não têm família, nada. Só temos que nos livrar do corpo. Ninguém vai suspeitar de nada.” Mas naquele momento, um som inesperado ecoou pelo convento. Batidas fortes no portão principal. Luciana saltou, puxou rapidamente o hábito e correu para a entrada. Quando abriu, encontrou vários policiais. O que parecia estar no comando da operação, um oficial de semblante severo, falou sem rodeios.
“Fomos informados de que houve um crime neste convento. Recebemos uma denúncia. Teremos que entrar e investigar.” O rosto da falsa freira empalideceu. Seu coração disparou, mas ela pensou rápido. “Se ela está morta, tenho que usá-la. Eles têm que encontrar o corpo de Gabriela imediatamente antes que descubram o que realmente está acontecendo aqui.” Sem hesitar, ela começou a chorar dramaticamente, cobrindo o rosto com as mãos. “Nossa Gabriela, nossa amada Gabriela. Encontrei-a morta há pouco. Não, não sei, não sei o que aconteceu, delegado.”
“Acho, acho que ela tomou muitos comprimidos.” Através de lágrimas falsas, ela levou a polícia até o quarto onde o corpo jazia. Eustáquio, sentindo o perigo, já havia se afastado, escondendo-se em outra parte do convento. Foi então que o delegado notou algo que Luciana não tinha visto: um pedaço de papel no chão perto da cama. A mensagem, escrita com caligrafia firme, dizia: “Uma autópsia deve ser realizada para descobrir o que aconteceu comigo.” O delegado estremeceu, franzindo a testa.
Luciana também leu, e sua expressão traiu imediato desconforto. Ela tentou intervir, mas ele foi enfático. “Não quero mais ninguém nesta sala, Madre. Precisamos saber o que realmente aconteceu, e mesmo que ela seja uma freira, teremos que levar o corpo da Irmã Gabriela para análise.” Sem alternativa, a falsa madre simplesmente assentiu, mordendo o lábio com força. O corpo de Gabriela foi cuidadosamente removido do quarto e colocado sob a custódia dos policiais. Luciana então encontrou Eustáquio, que a esperava escondido, ansioso.
Assim que a viu, correu em sua direção. “O que está acontecendo? Por que a polícia está aqui?” Luciana respondeu em voz baixa, mas irada. “Alguém denunciou a morte de Gabriela. Não sei se ela mesma denunciou antes de morrer, mas há algo estranho nesta história. Você quer fazer uma autópsia?” Antes que pudessem continuar a conversa, Susana veio correndo, com os olhos cheios de lágrimas. “Madre, Padre Eustáquio. Ainda bem que encontrei vocês. Gabriela. Ela…” Luciana interrompeu, fingindo soluços.
“Susana, ela se foi, está morta.” Mas Susana, em sua inocência, acabou dizendo mais do que deveria. “Eu sabia que isso ia acontecer. Não sei como, mas ela sabia.” Luciana ergueu uma sobrancelha desconfiada. “Susana, você tem algo a ver com isso. O que Gabriela lhe disse?” “Só fiz o que ela pediu”, respondeu Susana nervosamente. “Ela disse para não confiar em você, mas não sei por quê.” E assim Susana, acreditando firmemente na falsa madre, contou tudo.
Luciana, por sua vez, estreitou os olhos, mas rapidamente mudou de tom. Ela forçou um sorriso e colocou as mãos nos ombros da freira. “Entendo, minha filha. Obrigada por confiar em mim, mas por favor, não conte isso a ninguém. Preciso entender o que está acontecendo antes de espalhar qualquer coisa.” Susana assentiu, sem saber do perigo em que estava se colocando. Assim que ela se afastou, Luciana se virou para Eustáquio, sua máscara de doçura desaparecendo. “O cheiro está muito ruim aqui.”
“Precisamos ir para o necrotério agora, imediatamente.” Pouco depois, já no necrotério, Luciana entrou na sala gelada acompanhada por Eustáquio. Os dois médicos legistas, Fonseca e Camilo, ainda estavam lá, atordoados com tudo o que estava acontecendo. Vendo o espaço vazio, Luciana soltou uma palavra odiosa. Fonseca, nervosamente, deu alguns passos à frente. Ainda acreditando estar diante da verdadeira madre, ele disse: “Madre, a senhora não deveria estar aqui. Sinceramente, já disse que a senhora não podia entrar sem autorização.”
“Preciso que a senhora saia imediatamente.” Luciana virou-se bruscamente. Ela puxou uma arma do hábito. Sua expressão gentil havia desaparecido. “Só sairei quando souber onde está aquela freira. Onde está Gabriela?” Os olhos dos dois médicos se arregalaram. Camilo tentou dar um passo para trás, levantando as mãos. “Calma, calma, não há necessidade disso.” Naquele momento, Eustáquio apareceu atrás deles, também armado. “Não ouviu? Onde está a Irmã Gabriela? Ela está viva, não está?”
Fonseca gaguejou, aterrorizado. “O que está acontecendo aqui? Nós… não entendemos nada.” Luciana apontou a arma para ele, sua voz firme e fria. “Você não precisa entender. Só quero a Irmã Gabriela, seja o corpo dela ou ela. Onde a esconderam?” Eustáquio se aproximou ainda mais, arma em punho, olhar fixo. O silêncio na sala era insuportável. Então, uma voz ecoou pelo corredor. “Estou aqui.” Todos se viraram. Ali estava Gabriela, resoluta, seus olhos fixos nos impostores.
“Vocês me querem. Apenas deixem os dois irem. Eles não têm nada a ver com isso. Sou eu quem vocês procuram.” Os legistas se entreolharam, incapazes de acreditar no que viam. Luciana e Eustáquio, entretanto, se tensificaram, avançando lentamente em direção a Gabriela. Luciana gritou, “Consumida pela raiva.” “Droga! Você estragou tudo, mas agora, agora você vai pagar.” Ela ergueu a arma, mas antes que pudesse atirar, vozes ecoaram atrás de Gabriela. “Abaixem as armas imediatamente.”
“Vocês dois estão presos”, bradou o delegado, aparecendo com vários policiais armados. Luciana e Eustáquio se viraram em choque. Atrás deles, mais policiais surgiam, cercando-os completamente. O cerco estava armado. Sem saída, eles largaram as armas e se renderam. “Não, de novo não!” gritou a falsa madre. Enquanto eram algemados, uma figura entrou na sala. Era a verdadeira madre, Úrsula. Ela caminhou lentamente em direção a Luciana, sua irmã gêmea, uma criminosa, e simplesmente balançou a cabeça em silêncio, decepcionada. Então abriu os braços e abraçou Gabriela com força.
Camilo e Fonseca se aproximaram, ainda confusos. Fonseca perguntou hesitantemente: “Podemos saber o que aconteceu?” A verdade finalmente veio à tona. A Madre Superiora tinha uma irmã gêmea, Luciana. Enquanto Úrsula dedicava sua vida a Deus, Luciana seguia o caminho do crime. Passou anos na prisão, envolvida em atividades criminosas e em um relacionamento de longa data com Eustáquio, que nunca foi padre, apenas um cúmplice criminoso. Quando saiu da prisão, ajudou Luciana a escapar também.
Juntos, decidiram assumir novas identidades. E foi então que Luciana elaborou o plano mais audacioso: usurpar o lugar da própria irmã, disfarçando-se de Madre Superiora do convento, e assim escapar para sempre das grades da prisão. No entanto, o plano de Luciana e Eustáquio não saiu como imaginaram, pois Gabriela acabou descobrindo toda a verdade. Fonseca, ainda chocado, perguntou: “Mas como você foi parar em uma mesa de autópsia?” Gabriela explicou calmamente. “Sempre gostei de estudar medicina, até mesmo autópsias. Sabia que se me trouxessem como se estivesse morta, examinariam